Manhã litorânea e amena de 29 de abril. Outono, cheiro de romantismo no ar da orla de Copacabana.Pouco mais das sete da manhã. Pessoas ainda na faina malhativa matinal, andando ou correndo, todos preocupados com o bem-estar. Um Rapaz em marcha na caminhada. Coincidência! percebe o rapaz: aquela moça com jeitinho meio Paula Fernandes de ser caminhando bem ali na direção dele! Ela caminhando séria : cabeça erguida, busto harmoniosamente estufado. Havia umas duas semanas que eles se olhavam furtivamente. Ela era nova no pedaço.
Ele olhando para a moça:
—Oi!
—Oi...
Ele:
—O clima hoje está uma maravilha!
—É.
—Acho estas manhãs de outono puro romantismo! —disse o rapaz enquanto caminha paralelo à moça.
—É mesmo? Eu prefiro as manhãs de inverno! Mas pode ser que hoje seja uma manhã romântica... para os ingleses!
—O casamento do Príncipe William e Kate!
—É.
—É... o casamento! Cê sabe que eu fiquei interessado em assistir o casamento?
—É mesmo? Um homem a...
—Não! Não é isso que você está pensando. É que eu sou, digamos, um estudioso de pós-modernidade e de utopias no mundo atual. Então, assistir , ver como o povo, a plebe , age... enfim captar , perceber o que o povo inglês pensa, passa a ser um dos objetos de estudos. Na verdade um objeto também contemplativo!
—Contemplação romântica!
—Pode ser! Pena que minha TV deu tilt e não pude ver a tal cerimônia!
Continuam andando. Um pequeno silêncio.
Ela:
—Quer assistir no meu apê?
— Bem...se você não se importa...
Volveram. Ela conduziu o rapaz até o apartamento dela.
TV ligada. Momentos finais da cerimônia do casamento real. Olhos atentos á TV. De vez em quando se olhavam dissimulados.
—É o arcáico casando com o pós-moderno! — sentencia o rapaz com uma certa autoridade de especialista em história e filosofia contemporâneas.Ele continua: — Nessa sociedade líquida de hoje, esse ritual já está ultrapassado.
—É. Mas há o romantismo.
Agora, o casal real está palácio de Buckingham. Silêncio no apartamento. Os dois estão sentados bem próximos. Ele com a mão tocando de leve o joelho da moça. A moça com o braço no espaldar do sofá quase que abraçando o rapaz.
Os noivos reais trocam uma bitoca.
—E o beijo? — pergunta a moça.
O segundo e plácido beijinho entre o casal real acontece. No sofá eles se olham. Uma atração, um desejo súbito, um beijo maior e mais encorpado que a do casal real, unem os dois ali naquele sofá de um apartamento em Copacabana, exatamente no dia 29 de abril de 2011.
Por vald Ribeiro