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O  INVISÍVEL HOMEM  DE MARIANA

Mariana assistia  à televisão. Levantou rápido da cama, pegou o celular e ligou para Magna, a amiga fiel de longas datas.
—Magna?
Está assistindo a Globo?
—Não.
—Está passando uma minissérie e tem um  homem  que possui uma mulher invisível.
—É? E você está achando engraçado? — Quis saber Lídia, ainda atônita sem saber a real intenção daquele telefonema.

—Não!
—Não?
—Não! Posso te fazer uma pergunta?



—Ora Mariana, desde quando você precisa me perguntar se pode me fazer uma pergunta?



—Magna, você tem um homem invisível?



—Que piada é essa, Mariana? Homem invisível? Cê sabe muito bem que o meu homem é de carne e osso! E além disso El...



—Eu sei, eu também tenho um homem de carne e osso.



—Sim?



—Pois é! E você nunca pensou em ter um homem invisível? Um homem igual aquele que  toda mulher sonha: carinhoso, caricioso, másculo, amigo, prazeroso  eticetera e  tal? Um verdadeiro na...



— Ora Mariana, o único homem invisível  que tenho é o meu anjo da guarda. Se é que anjo é  macho! —  espinafrou  Magna.



—Tá bem. Desculpe a minha indelicadeza!



       Mariana desligou o celular. Se sentia a mulher mais  inferior do mundo. Logo ela que sempre se mostrou altiva, superior e independente!



            Deitou-se na cama. O marido na sala navegando pela internet. Adorava quando ele estava   assistindo futebol  ou navegando na internet  porque assim poderia ter mais intimidade com o amante invisível.



            Imaginou o homem invisível  deitando ao lado  dela. Beijos, bitocas, massagem tailandesa. Depois altas e baixas carícias. Os prazeres lhe dominando a carne, a alma...



            O celular toca. Era Magna:



            —Mariana? Eu tenho um homem invisível! Não falei naquela hora porque meu marido estava perto de mim.



            —É amiga?



            —E você?  Também tem, né?



            —Eu? Sabe que nunca pensei nisso? Nunca me imaginei assim!



—Você não sabe o que está pendendo! Invente um.



—Não consigo me imaginar assim.



—E por  que  você me imaginou com um homem invisível?



—Magna, depois eu te ligo. É que eu estou muito ocupada agora.



Desligou o celular e voltou para a cama. Tinha que continuar  o namoro com o imaginário homem invisível.  Mariana olhando para ele:



—Voxê é meu  xegredo, xó meu!







Vald Ribeiro







Pós-moderno

Pós-moderno

Enquanto William e Catherine se casavam


Manhã litorânea e amena de 29 de abril. Outono, cheiro de romantismo no ar da orla  de Copacabana.Pouco mais das sete da manhã. Pessoas ainda na faina malhativa  matinal, andando ou correndo, todos preocupados com o bem-estar. Um Rapaz  em marcha na caminhada. Coincidência! percebe o rapaz: aquela moça com jeitinho meio Paula Fernandes de ser caminhando bem ali na direção dele!  Ela  caminhando  séria : cabeça erguida, busto harmoniosamente estufado. Havia umas duas semanas que eles se  olhavam furtivamente. Ela era nova no pedaço.
 Ele olhando para a moça:
—Oi!
—Oi...
Ele:
—O clima hoje está uma maravilha!
—É.
—Acho estas manhãs de outono puro romantismo! —disse o rapaz enquanto caminha paralelo à moça.
—É mesmo? Eu prefiro as  manhãs de inverno! Mas pode ser que hoje seja uma manhã romântica...  para os ingleses!
—O casamento  do Príncipe William e  Kate!
—É.
—É... o casamento! Cê  sabe que eu fiquei interessado em assistir o casamento?
—É mesmo? Um homem a...
—Não! Não é isso que você está pensando. É que eu sou, digamos,  um estudioso de pós-modernidade e de utopias no mundo atual. Então, assistir , ver como o povo, a plebe , age...  enfim captar , perceber o que o povo inglês pensa, passa a ser um dos objetos de estudos. Na verdade um objeto também contemplativo!
—Contemplação romântica!
—Pode ser! Pena que minha TV deu tilt e não  pude ver a tal cerimônia!
Continuam  andando. Um pequeno silêncio.
Ela:
—Quer assistir no meu apê?
— Bem...se você não se importa...
Volveram. Ela conduziu  o rapaz até o apartamento dela.
TV ligada. Momentos finais  da cerimônia do casamento real. Olhos atentos á  TV. De vez em quando se olhavam dissimulados.
—É  o arcáico casando com o pós-moderno! — sentencia o rapaz  com uma certa autoridade de especialista em história e filosofia contemporâneas.Ele continua: — Nessa sociedade líquida de hoje, esse ritual já está ultrapassado.
—É.  Mas há o romantismo.
Agora, o casal real está palácio de Buckingham. Silêncio no apartamento. Os dois estão sentados bem próximos.  Ele com a mão  tocando de leve o joelho da moça. A  moça com o braço no espaldar do sofá quase que abraçando o rapaz.
Os noivos reais  trocam uma bitoca.
—E o beijo? — pergunta  a moça.
O segundo e plácido beijinho entre o casal real acontece. No sofá eles se olham. Uma atração, um desejo súbito, um beijo maior  e mais encorpado que  a do casal  real, unem os dois ali naquele sofá  de um apartamento  em Copacabana, exatamente  no dia 29 de abril de  2011.

Por vald Ribeiro